O Nordeste Brasileiro e a escassez água: Como o trabalho das IFMMA acontece nessa parte do país

21 de Março de 2018
Postado por: Cristine Maraga

* Um relato da Irmã Sueli M. Wardenki, em celebração do Dia da Água.

As Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora (IFMMA) há muitos anos executam projetos e tem sua presença no Nordeste Brasileiro. No dia da água, 22 de março, como forma de mostrar a importância desse recurso natural, vamos trazer o exemplo de como é tratado a água nessa região do Brasil e as dificuldades de desafios de se desenvolver projetos sociais nesses locais.

Muitas regiões do Nordeste Brasileiro sofrem com a escassez de água pela falta de chuvas, porque estão localizados no polígono das secas, que abrange territórios de nove Estados do Nordeste.

(Fonte: http://brasilgeofisica.blogspot.com.br/2011/10/seca-no-sertao-nordestino.html)

O relevo é um dos grandes fatores que caracteriza a aridez, o clima e a vegetação dessa região. Mas apesar da natureza possuir suas fases e círculos próprios aos quais os habitantes precisaram se adaptar, a tecnologia para essa adaptação e as formas de usá-la para beneficiar a vida do povo nordestino não é compartilhada por todos.

Na estação do estio (seca) a água para o consumo é transportada de longas distâncias, acarretando altos custos e, portanto, chega às residências em pouca quantidade e, na maioria das vezes chega uma vez na semana ou a cada quinze dias. O povo é obrigado a economizar o máximo e reaproveitar tudo que é possível.  Geralmente a água do banho, ou da lavagem de roupas, é reutilizada para descarga nos banheiros e limpeza da casa.

De acordo com a coordenadora dos projetos sociais das IFMMA no Nordeste, Irmã Sueli M. Wardenki, “aprender a conviver com o estio, não desmatar a vegetação nativa, criar formas de coleta da água das chuvas de maneira comunitária, tudo isso é conhecimento que ainda não foi assimilado nem assumido por todos os nordestinos, consequência do descaso do poder público diante de suas responsabilidades de gestão política. Infelizmente muitos 'políticos' se aproveitam, fazendo crescer a 'indústria da seca', especialmente no campo das políticas públicas com desvios de verbas”.

A cidade de Soledade/PB onde algumas Irmãs Franciscanas residem atualmente, está localizada na mesorregião do Agreste Paraibano. Esta região viveu sete anos sem chuvas. O branco e cinza da Caatinga eram permanentes nas paisagens, os leitos dos rios e açudes vazios eram cheios de pedregulhos e a poeira que era varrida pelos ventos entrava nas residências sem pedir licença.

Na foto: Interior do município de Soledade/PB, janeiro de 2018.

Como forma alternativa de sobrevivência e permanência nos sítios existem muitas famílias que tem a criação do gado caprino, por ser um animal resistente a seca e que se alimenta de quase tudo. Uma das plantas, também resistentes à falta de chuva, e que o gado caprino se alimenta é a palma. Um cacto altamente importante e que salva muitos animais, mesmo os bovinos.

Na foto: Criação de caprinos do Sítio Caiçara, Soledade/PB, março de 2018.

A criação ajuda o produtor na sua subsistência, seja pela venda do próprio animal, seja pelo que ele produz: leite, carne e o couro.

Na foto: Plantio da palma. Soledade/PB, março de 2018.

A falta de água no Nordeste Brasileiro não se deve somente a falta de chuvas, mas a falta de estruturas mais eficazes no armazenamento da mesma, como também a falta de saneamento básico nas zonas urbanas que leva a contaminação de alguns reservatórios que poderiam abastecer populações e amenizar esse sofrimento. 

A já falada “indústria da seca”, cuja situação as autoridades políticas e grandes empresas se beneficiam desviando recursos públicos, evita que a população se apodere das informações que os tiraria dessa miséria, devolvendo-lhes a dignidade e a possibilidade de permanecer no Sertão.

Na foto: Sítio de Manoel de Souza, Soledade,  25/02/2018

Felizmente a chuva está retornando nesta região este ano, ainda em pouca quantidade mas que renovou a esperança do povo. Com a chegada da chuva contempla-se a alegria no rosto das pessoas. Para este povo a água é Vida, é Tudo, traz possibilidades de uma vida mais digna e saudável. Como dizem por aqui: “Estamos riquinhos!”, isto é, contentes, felizes, realizados, satisfeitos e agradecidos.

A alegria de ver os açudes cheios novamente renova a esperança para plantar a semente.

Na foto: Caminho para Olivedos/PB, março de 2018.

O umbuzeiro e a algaroba deixam de ser a única coisa verde nos caminhos, a gramínea brota logo após as primeiras chuvas. 

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