Um fio de tecer, o professor!

14 de Outubro de 2018
Postado por: Cristine Maraga

Sabemos que o fio de linha se torna invisível dentro de uma roupagem qualquer. Mesmo desapercebido, faz com que um projeto tenha estrutura. Sua importância, na maioria das situações, é indispensável. No tecer da vida construções do que também somos devem-se ao fio tecido por algum professor!

Etimologicamente, “professor” origina-se do latim, de professus, aquele que professa, que significa “pessoa que declara em público” ou “afirma publicamente”. Essa palavra, por sua vez, é derivada do verbo profitare. Esse significa “afirmar/declarar ao público” e é composto de pro, “à frente”, e fateri, “reconhecer”.

Pessoalmente, não foi utópico em meu projeto de vida um dia sonhar em ser professora. Mas um fio tecido e condutor me faz acreditar nessa nobre missão. Na arte de ser e amar a vida desdobra-se a razão em gestos de ir além, de proporcionar contextos de reflexão e, se possível, possibilitar espaços de transformação! Professar, quando necessário, para frente, no propósito de ser luz e esperança, e assumindo uma postura de quem sempre reconhece que o aprendizado é coletivo.

O ensino/aprendizagem necessita de intelectuais, que o relativismo, infelizmente, tende a abortar pejorativamente e ou por desconhecimento de uma acomodação mental. A exigência dos tempos proporciona justificativas acumuladas para quaisquer situações. O atrofiamento de pensamentos refletidos ante tomadas de decisões, face a críticas sociais vitimistas ou repletas de interesses egocêntricos, faz professar à frente de (e reconhecer) intelectos doentios.

O encanto de proporcionar ambientes onde os pés possam trilhar caminhos conscientes, por mais que encontrem fatos e construtos legitimados, trata-se de uma força impulsionadora que pode se chamar de virtude (habitus). Tecer práticas ponto a ponto com essências humanas, de uma maneira nobre e com uma maneira toda própria para cada pessoa, de aprender (internalizar) e transformar (externalizar) o aprendizado a partir da realidade, é o segredo silencioso e virtuoso de uma mediação que não se encontra em prateleiras à disposição, negociável e à venda.  

Fui tecida com mestres que professavam dois elementos em suas práticas educativas: a exigência e a ternura. Noites de exigências e dias de ternura! Praticamente estou me tecendo uma jovem professora na mesma direção. Preciso declarar que amo e admiro muito a arte de construir reflexões educativas. Minha área, se o futuro permitir, será com o desejo de trabalhar somente disciplinas de final de cursos e projeto de vida.

Com a ternura, a paz e o bem presto e protesto a minha homenagem para todos os professores e educadores que, reconhecidamente ou não, fazem da sua vida uma virtude para a transformação da sociedade! Parabéns para todos!

 15 de outubro, dia do Professor!

Ir. Rosangela Cenci – 

Universidade da Beira Interior – Portugal –

(Concluindo a tese de Doutorado em Sociologia)

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