Irmã Silvia relata Experiência Missionária Regional NE 2

11 de Fevereiro de 2020
Postado por: Cristine Maraga

Primeiramente quero louvar ao Senhor da Messe que nos orienta a sempre seguir seus caminhos, rumo aos seus braços. E esta missão na pequena cidade de Itacuruba, Ele nos orientou, guiou e se manifestou. Primeiramente a chegada à Itacuruba para conhecer a realidade da Paróquia, a mais pobre da Diocese, encontro com os animadores.

Itacuruba tem aproximadamente 5 mil habitantes, numa área de 430, 038 km². Situada no Sertão de São Francisco em Pernambuco. Até o século XVII era ocupada pelos índios pertencentes ao tronco linguístico macro-jê. A partir desse século, os índios foram catequizados pelos padres jesuítas. Já foi conhecida e chamada carinhosamente de “Jardim Sertanejo”, por causa de suas praças cheias de flores e árvores.

Um pouco da história dessa pequena cidade:

Até o século XVII, o sertão da região Nordeste do Brasil era ocupado por índios pertencentes ao tronco linguístico macro-jê. A partir desse século, os índios da região atualmente ocupada pelo município de Itacuruba passaram a ser catequizados por padres jesuítas. Quando encerrado o episódio jesuítico da Ilha do Sorubabel, passou aquela missão a ser chefiada pelos capuchinhos franceses, que à época dos acontecimentos, já possuíam outras missões no São Francisco, na zona dos índios Rodelas, desde 1673.

A Ilha do Sorubabel em 1702 se encontrava sob a direção do frei Francisco Dumfront, debaixo da proteção de Nossa Senhora do Ó. Nesta missão é que se encontram as raízes e berço da atual formação religiosa local, uma vez que estava situada na foz do rio Pajeú, por onde subiam os índios catequizados pelo frei.

Lá, foi construída, nos primórdios do século XVIII, a igrejinha da missão, na extremidade meridional da ilha, e orientada para o mesmo lado. A capela, de médias proporções, possuía um muro de pedra ao redor.

Com a construção da capela, coube, àquele missionário, a implantação, ali, do culto a Nossa Senhora do Ó. A igreja passou a contar com uma imagem da santa em madeira, imagem que guarda características francesas da era de transição do século XVII para o século XVIII, segundo a opinião de um técnico em assuntos de arte religiosa.

Em 1709, os capuchinhos franceses foram substituídos pelos barbadinhos italianos. Mesmo sem frei Francisco Domfront, a missão de Sorubabel teve vida florescente no século XVIII, irradiando, pelas redondezas, sobretudo através do rio Pajeú, os ensinamentos da religião cristã.

Em 1792, o Rio São Francisco desce com sua maior cheia de todos os tempos. A Ilha do Sorubabel foi totalmente inundada, sua capela destruída e a imagem da Nossa Senhora do Ó arrastada pelas águas. Nas proximidades de Petrolândia, na fazenda Várzea Redonda, a imagem foi colhida por pescadores. Identificada, recolheram-na à igreja da Freguesia de Tacaratu, onde permaneceu durante 97 anos.

Só regressou às margens do rio quando construíram sua capela na atual Itacuruba, da paróquia de Floresta, cuja pedra fundamental foi lançada em 1889 pelo padre Miguel Arcanjo e por Manoel Quirino Leite, considerado o fundador da cidade e que, desde o ano de 1870, vivia a espreitar e incentivar o povo, trabalhando para fundar aquele aglomerado e escolhendo o local favorável. Com visão de desenvolvimento, conseguiu que habitantes da região, notadamente da Bahia, convergissem para aquele local.

A Capela de Nossa Senhora do Ó foi construída com a frente para o Rio São Francisco, onde aquela veneranda imagem possuía colossal “patrimônio imobiliário em ilhas” arrendadas aos agricultores. Manoel Quirino Leite veio a falecer em 1919, aos setenta anos de idade.

Etimologia
“Itacuruba” provém do tupi antigo itakuruba, que significa “grão de pedra, seixo”, através da composição de itá (pedra) e kuruba (grão).¹

Gratidão aos Irmãos sacerdotes que nos acolheram na diocese de Floresta, com certeza todos nos sentimos a vontade e desafiados a vivenciar esta missão. Obrigada Dom Gabriel pela iniciativa e generosidade da abertura de sua diocese à esta bonita experiência. Estou torcendo e rezando para que esta seja encanta e mais ainda quando diz respeito a fé, as lutas, a cultura. É uma gente que nos anima, nos enche de entusiasmo e nos aumenta o desejo de mudar de atitudes, de acreditar mais, amar mais...

Algumas coisas ditas por padre Edvaldo no dia 10 sobre os objetivos desta missão me iluminaram nesses dias vividos em Itacuruba: o Espírito de querer experimentar cada dia, na vivencia e no testemunho da fé entre o povo; o anunciar com palavras e ações a Boa Nova de Jesus; e estar de coração aberto para conhecer o povo.

Outro ponto muito importante para mim foi ter conhecido a realidade histórica e pastoral da diocese. Isso facilitou muito no diálogo com as comunidades e a compreender seus costumes e tradições.

Ser missionário está muito mais além de sair de um lugar para outro, também isso, mas com a vida desse povo aprendi que o coração missionário desconhece distancias. Pessoas que nunca saíram de seu chão são testemunhos vivos do que Jesus disse de adorar a Deus em espírito e verdade. Vivem na encarnação da vida o amor, o perdão, a fraternidade...

Bom demais a presença e a luz de Dom Esmeraldo no nosso meio nos primeiros dias. Várias palavras que ele disse eu pude enxergar em comunidades visitadas, em rostos que conheci, em amizades que vi nascer... Que dizer mais? Bem, a experiência missionária foi de grande importância para minha vida de fé e consagração. Acreditar na vida e no bem ainda nos faz fraquejar muitas vezes e lá, pelas estradas de Itacuruba, nas tribos indígenas do povo Pankará, Tuxá Campos; nos assentamentos quilombolas Poço dos Cavalos, Poço do Boi, Paulo Freire, Lealdade, Angico II, Coité, a Ingazeira e União e Simpatia, percebi que o Bem cresce como a sementinha de mostarda, em silencio e vigorosamente. Cada lugar visitado foi um aprendizado ímpar. Deus lhes pague pela imensa alegria que experimentei e tenham certeza, minha consagração ao Povo de Deus se fortaleceu, a fé aumentou e o coração está ardendo como os discípulos de Emaús. É preciso voltar para Jerusalém. Ele nos espera lá.

Espero que ano que vem nos reencontremos. Com a graça de Deus. Na fraternura de Francisco, Clara e Maria Bernarda deixo meu abraço. Paz e Bem!

 

Veja algumas fotos da missão: 

 

 

Irmã Silvia Cristina, ifmma

¹ Fonte: http://itacurubaprev.pe.gov.br/institucional/conheca-a-cidade/

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