Irmã Silvia Cristina: “ser geógrafa na missão”

22 de Janeiro de 2020
Postado por: Cristine Maraga

Em dezembro de 2019 nossa Irmã Silvia Cristina conquistou a sonhada formação no ensino superior no curso de Geografia pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) abordou o tema da reciclagem, centralizando nos catadores de resíduos sólidos, trazendo uma nova percepção sobre esses trabalhadores. Com a graduação concluída, a intenção dela é à sala de aula, usar os conhecimentos na vida pastoral com o povo, nas diversas realidades, especialmente quando o assunto é o meio ambiente, a natureza e a humanidade.

No relato abaixo Irmã Silvia Cristina descreve um pouco da sua trajetória e os planos para utilizar a geografia na missão:

Sou Irmã Silvia Cristina, paraibana, 44 anos, e faço parte da Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora desde 2006, quando decidi sair de casa para iniciar minha formação como Postulante desta Congregação. Atualmente, em missão na cidade de Soledade/PB, ao lado de mais duas irmãs, formamos a Fraternidade Jesus de Nazaré. Mas foi em 2011 que iniciei minha vida acadêmica, quando passei no vestibular da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Ainda não existia o ENEM e Vestibulares eram a única porta para entrar em uma universidade. De 2011 a 2013 estudei em Campina Grande/PB, na ocasião eu estava na etapa formativa da Congregação que chamamos Juniorato, etapa anterior aos votos perpétuos. Em 2014 fui para Chapecó/SC, e me transferi para a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), onde cursei a Geografia até 2016. Precisei voltar à Paraíba em 2017, por motivos familiares que precisavam de minha presença. Novamente voltei à UEPB.

Ensinar Geografia, sempre foi um desejo desde que comecei a entender essa ciência e sua importância nos currículos escolares. Tinha fascinação pelos mapas, relevo, fauna, flora, rochas e as transformações das sociedades humanas. Na família, fui influenciada por uma tia e incentivada em estudar. Então, tive a ousadia de sonhar com a graduação, algo bem longe de minha realidade, pois fiquei dez anos longe da sala de aula, depois que acabei o ensino médio. Sou de um tempo passado em que ser professora era privilégio de poucos e apesar da atual realidade gritante da falta de apoio e respeito por estes profissionais, ainda é o que me impulsiona a amar e acreditar no ensino, no conhecimento como ferramenta essencial para uma sociedade mais humana.

Este ano defendi meu trabalho de conclusão de curso e ainda não caiu a ficha que terminei, que serei uma graduada, licenciada a ensinar Geografia. Mas foi uma caminhada cheia de desafios e ensinamentos. Por que Geografia? Primeiramente porque ela me levou a olhar a Criação, a Natureza, o meio ambiente, os continentes, o mundo globalizado... Coisas que eu via e rezava como missionária e religiosa consagrada.

Em meus estudos na Congregação eu possuía um olhar geográfico, analisava a missão como uma geógrafa, e quando estava na universidade, olhava as várias formas de evangelizar meus professores e colegas nos valores franciscanos, o que se misturavam em minha fala e presença. Eu já não sabia separar o que era francisclariano e o que era estudo acadêmico, pois a essência da Geografia era humanizar, estudar a relação da sociedade com a natureza, e São Francisco de Assis, Santa Maria Bernarda, o próprio Jesus Cristo, traziam pra mim muitas lições geográficas na missão que realizaram, no espaço que viveram, da direção que deram as suas vidas. Eu queria fazer a diferença como professora de Geografia, eu queria que outras pessoas se apaixonassem por esta ciência como eu havia me apaixonado. Era uma busca da essência do ser humano, já dizia um professor muito querido.

E foi pensando nessa humanização que escrevi meu trabalho de conclusão de curso. Trabalhei com o tema da reciclagem e centralizando nos catadores de resíduos sólidos, para uma nova percepção de olhar esses trabalhadores urbanos, pessoas “invisíveis” aos olhos do poder público quando a questão é direitos e cidadania; analisar os conflitos que eles trazem em seu cotidiano nas relações com o sistema econômico vigente, dando a devida importância para sua contribuição socioambiental na cidade de Campina Grande/PB. O tema sobre esses agentes ambientais precisa ser mais ouvido e debatido no meio acadêmico sim, porém, bem mais urgente seria sua implementação no ensino fundamental, em nossa base educacional. Por que não começar em casa?

O que muda na minha vida agora que terminou a graduação? Agora é reorganizar a mente para recomeçar nesse advento de um novo ano. Novos estudos, nova missão, mas uma coisa eu tenho certeza: a Geografia estará permeando tudo, mesmo que ainda não esteja na sala de aula, o ser geógrafo não se separa do ser humano quando ele é a vocação. As perspectivas são de ir à sala de aula, usar meus conhecimentos na vida pastoral sim, com o povo, nas diversas realidades, especialmente quando o assunto é o meio ambiente, a natureza, a humanidade.

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