Ir. Glorisse relembra trabalho das Franciscanas no Hospital Santo Antônio, em Chapecó

25 de Agosto de 2017
Postado por: Cristine Maraga

Chapecó completou 100 anos nesta sexta-feira, 25 de agosto. A cidade, considerada a Capital do Oeste, cresceu a partir do trabalho árduo de muitas pessoas e entidades. As Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora atuaram intensamente na saúde e educação durante as primeiras décadas do município. Trabalho esse que foi homenageado na noite da quinta-feira (24). Para falar um pouco mais sobre a atuação das religiosas conversamos com a Irmã Maria Glorisse Lombardi, que trabalhou na área da enfermagem por cerca de 10 anos.  

As Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora foram procuradas pela comunidade de Chapecó para assumirem a administração do antigo Hospital Santo Antônio em 1942. Desafio aceito pelas franciscanas, que durante pouco mais de três décadas estiveram à frente da instituição.

Na época, o hospital era pequeno e com pouca estrutura. “Eu e mais quatro companheiras viemos para trabalhar no hospital. Quando chegamos a estrutura tinha apenas três quartos, uma enfermaria com quatro camas e uma pequena farmácia, onde quase não havia medicamentos. Buscávamos os medicamentos em Erechim, eram dois dias de viagem para chegar com os produtos aqui, ou então emprestávamos de um laboratório vizinho. Uma pequena parte do hospital ainda estava em construção, então limpamos e organizamos o local para poder atender mais pacientes”, conta Irmã Glorisse.

A religiosa era auxiliar de enfermagem. Ela comenta que na década de 1940 haviam poucos profissionais qualificados para o trabalho em saúde. “ Eu trabalhava especialmente no centro cirúrgico, que era bem limitado. Era um quarto transformado em centro cirúrgico. Naquele tempo, além de trabalhar na enfermagem, a gente fazia todo o trabalho de entreajuda. Éramos como uma família, onde precisava ajudávamos”, conta a religiosa, relembrando que em muitos momentos auxiliou também na higienização e organização dos quartos.

Na década de 1940, conforme relembra Irmã Glorisse, Chapecó era uma pequena cidade, ainda com ruas em chão batido e vegetação fechada bem próximo do Hospital. Haviam poucas moradias na cidade e as madeireiras ainda estavam instaladas onde hoje é o centro da cidade. O clima era de comunidade, com o compartilhamento de produtos. “A igreja matriz ainda não existia, tínhamos uma capela de madeira”, relembra.

“Era uma época muito difícil na saúde. As vezes não tínhamos alimentos para os doentes. Não havia roupa de cama suficiente para o hospital. Foi um período de muita dificuldade. Muitos não tinham outro lugar para procurar, estavam abandonados”, comenta Irmã Glorisse. As Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora ficaram na administração do Hospital Santo Antônio por 32 anos, quando a gestão da unidade foi devolvida à comunidade.

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