A vida de Santa Maria Bernarda: “Sou e devo ser missionária”

19 de Maio de 2017
Postado por: Cristine Maraga

Hoje é um dia especial para as Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora. Hoje é o Dia de Santa Maria Bernarda, fundadora da congregação que hoje está espalhada pelo mundo, levando a paz e o bem.  Na América Latina fazemos presença em Colômbia, Equador, Peru, Chile, Bolívia, Brasil, Venezuela, Panamá e Cuba.  Na Europa, estamos na Suíça, Áustria e Espanha. E na África: em Mali e em Chade.

No texto abaixo, há o relato da Irmã Lourdes T. Covatti, que tem sua missão atualmente no Santuário e Museu Biográfico de Santa Maria Bernarda, na Colômbia. Ela conta a história da Santa, o trabalho desenvolvido e amor dela pelos pobres.

A INFÂNCIA DE VERENA BÜTLER (MARIA BERNARDA)

Santa Maria Bernarda nasceu no 28 de maio de 1848. Foi batizada no mesmo dia, na Igreja de sua terra natal Auw - Canton de Argau – Suíça, e recebeu o nome de Verena Bütler.  Filha do casal Enrique Bütler e Catalina Müller, a infância de Verena transcorreu entre o campo, a escola e a paróquia. Recebeu de seus país bom exemplo e formação humana e cristã, baseada no amor e na bondade. De sua mãe herdou um coração caritativo e de seu pai o gosto pelo trabalho.

Verena tinha um temperamento alegre e gostava de jogos e vida no campo. Sua infância foi muito bonita e cheia de vigor. Desde pequena, experimentou no íntimo do seu ser a inclinação pelos que sofrem, querendo aliviar sua dor. Gostava de rezar e tinha um amor muito grande aos pobres. Ela trazia algo muito especial dentro de si.

Em sua juventude, Verena fez a experiência do amor, do belo, do nobre, do sublime e do divino na condição. Sentiu-se possuída por Deus, desde sua primeira comunhão. Assim, ela intensificou sua oração, convencida de que só Deus poderia plenificar sua vida. Amou filialmente a Virgem Maria, sua terna mãe. Sua vida jovem, pura e simples converteu-se em terreno fértil cultivando a humildade, a simplicidade, a fidelidade, a caridade com o próximo, que a levou a optar pela Vida Consagrada.

Estava então com 19 anos, quando ingressou no Convento de Maria Auxiliadora em Altstätten-Suíça, recebendo o nome de Irmã Maria Bernarda do Sagrado Coração de Maria. Ali foi formada progressivamente no espírito religioso e franciscano. Nestes anos sentiu que algo mais queria o Senhor, ser missionária. Dizia ela: “Sou e devo ser MISSIONÁRIA”.

AUDÁCIA MISSIONÁRIA NA AMÉRICA LATINA

A ocasião veio quando Monsenhor Pedro Schumacher se dirigiu a Madre Bernarda em uma carta, para pedir ajuda e oferecer sua diocese de Portoviejo, Equador, como campo propício e sedento de evangelizadores e missionárias alegres, simples, que não desanimassem diante das dificuldades do lugar, do clima e da distância. Madre Bernarda com mais seis Irmãs foram as elegidas por Deus para responder ao chamado, convictas do chamado de seguir fielmente a vontade de Deus, para anunciar sua presença bondosa à gente simples e pobre de Equador.

Portadora do DOM INICIAL e com autorização da eclesiástica, despois de una comovedora despedida em seu convento de origem, Maria Bernarda e outras seis companheiras partem para o Equador, no dia 19 de junho de 1888, data em que comemoramos a fundação da Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora.

Chegando ao Equador, Inseridas a toda a ação evangelizadora o bispo lhes indicou pequeno povoado de Chone, como campo de missão. O zelo missionário, que trazia no fundo do seu coração fez com que assumisse com alegria e coragem a extrema pobreza naquele país. Fez-se pobre, por amor a Cristo pobre, para viver com e como os pobres que, sedentos de Deus e famintos de pão e do Evangelho receberam com fé as missionárias, chamando-as de “madrecitas, pobrecitas”.

Em 1895 a Congregação que já contava com 15 Irmãs, viu-se obrigada a deixar o Equador, por perseguição religiosa (Revolução no Equador). Maria Bernarda confiando no Senhor, embarca para Colômbia sendo acolhidas carinhosamente e de braços abertos pelo bispo de Cartagena Monsenhor Eugenio Biffi, que estava feliz de poder realizar o sonho de contar com religiosas para sua diocese.  

PROCESSO DE SANTIFICAÇÃO

A vida de Santa Bernarda se consolidou no cotidiano, ao viver com fé firme, esperança inquebrantável e caridade heroica, centrada em Deus, numa relação de convivência que gera vida, comunhão e unidade. Com simplicidade, sabedoria e firmeza enfrentou a realidade e as muitas dificuldades, leu e respondeu aos sinais dos tempos, entregou generosa e incondicionalmente sua vida a Deus a serviço dos demais, especialmente aos mais pobres, marginalizados, excluídos e afligidos.

Sua audácia evangélica-missionária abriu caminhos de fidelidade e radicalidade na construção do reino de Deus. Fez do Evangelho sua lâmpada brilhante, sua estrela polar. Foi anúncio de paz e misericórdia, convite constante ao amor, alegre profecia de ternura para o mundo. Maria Bernarda foi madre-fundadora, mestra-santa, missionária da misericórdia.

No dia 19 de maio de 1924 se apagou sua luz na terra.  Na Catedral de Cartagena o pároco anunciou: “Nesta manhã morreu na cidade uma SANTA, a reverenda Madre Maria Bernarda Bütler”.  O bispo de Cartagena Mons. Pedro Adam Brioschi no cemitério de Manga concluiu a oração dizendo: “E agora reverendíssima Madre que estás tão cerca do trono de Deus, sê nossa protetora na aterra e nossa intercessora no céu”. Desde então, este foi um lugar de honra e peregrinações constantes que acorrem a Madre como sua poderosa intercessora.

Diante desta feliz realidade, se introduziu o Processo a canonização.  Em 1969 ocorreu o milagre da menina Liliana Sánchez. A Igreja reconheceu a santidade de vida de Maria Bernarda e no dia 29 de outubro de 1995, S.S. Juan Pablo II a proclamou Beata.

Outro sinal da Misericórdia do Senhor por intercessão da Santa, deu-se em Cartagena, em julho de 2002, na jovem médica Mirna Jazimine Correa. Estava desenganada, totalmente entubada, na unidade de cuidados intensivos da Clínica Madre Bernarda. Aprovado este milagre e publicado em 6 de Julho de 2007 a causa de Canonização chegou ao final. No coração de Roma, na Praça São Pedro, foi a glorificação eclesial de esta mulher missionaria. No da 12 de outubro de 2008, o Papa Benedito XVI inscreveu a Maria Bernarda no número dos SANTOS da Igreja Católica.

SANTUARIO E MUSEU BIOGRÁFICO DE SANTA MARIA BERNARDA

É neste Santuário e museu biográfico de Santa Maria Bernarda onde exerço minha missão juntamente com Ir. Yadira Jimenez, colombiana, Ir. Maria Teresa Péres, espanhola e eu Ir. Lourdes T. Covatti, brasileira. O Santuário e Museu constituem um centro de oração e espiritualidade. O primeiro grande objetivo e tornar conhecida vida, obra e Missão de Santa Maria Bernarda, exercitamos a Pastoral da acolhida, da escuta, evangelização e animação vocacional. E em cada percorrido fica gravado no coração dos visitantes, algo da vida da santa como benção pessoal.

O Museu mostra a vida e missão de Madre Bernarda desde seu nascimento, vida familiar, ingresso e consagração na vida religiosa, sua partida para a missão na América, sua passagem pelo Equador, a chegada a Cartagena e seu trabalho missionário até sua morte em 19 de maio de 1924.  Nas colunas estão passagens da Palavra de Deus e logo a palavra de Santa Maria Bernarda. Nas vitrines estão objetos de uso pessoal de Santa Maria Bernarda, que revelam seu grau de pobreza, simplicidade e despojamento.

É preciso como Santa Maria Bernarda, ter os olhos, a mente, o coração abertos para as necessidades dos nossos irmãos e dar a nossa resposta. Estar atentas aos sinais dos tempos e agir segundo as necessidades que surgem.

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