07 DE SETEMBRO – GRITO DOS EXCLUÍDOS (Carta às comunidades cristãs)

29 de Agosto de 2017
Postado por: Cristine Maraga

 “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade: sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13-14)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quero fraternalmente saudar com a paz de Jesus Cristo todos os cristãos. Dirijo-me a todos, através desta carta, para realçar em breves palavras a importância de celebrar o grito dos excluídos proposto todos os anos pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

O grito dos excluídos é uma importante articulação de inúmeras frentes populares na defesa da justiça e do direito. Existente desde 1995 nasceu com o objetivo aprofundar o tema da campanha da fraternidade, mas aos poucos foi se ampliando e ajuntando num “grande grito” as inúmeras formas de exclusão e violências que degradam o ser humano e a criação divina. Dessa grande ciranda participam igrejas, movimentos sociais populares, associações, pessoas de boa vontade, etc. Muitos são os que no dia da independência do Brasil (07 de setembro) se articulam e se organizam para manifestar as crueldades que ainda assolam a realidade nacional e internacional.

Neste ano de 2017, celebramos o 23º “Grito dos Excluídos/as” colocando a “vida em primeiro lugar” e no seu lema faz um forte apelo “por direitos e democracia, a luta é todo dia”. Objetivo geral é “valorizar a vida e anunciar a esperança de um mundo melhor, construindo ações a fim de fortalecer e mobilizar a classe trabalhadora nas lutas populares. Denunciar a estrutura opressiva e excludente da sociedade e do sistema neoliberal que nega a vida e quer nos impedir de sonhar”. A luta da Igreja pela garantia dos direitos fundamentais de todas as pessoas é histórica. Já fazem mais de cinquenta anos que Papa João XXIII, na Carta Encíclica Pacem in Terris, dizia que “quando numa pessoa surge a consciencia dos próprios direitos, nela nascerá forçosamente a consciência do dever: no titular e direitos, o dever de reclamar esses direitos, como expressão de sua dignidade, nos demais, o dever de reconhecer e respeitar tais direitos” (Pacem in Terris, 44).

Assumir isso na vida todo o dia é colocar-se em sintonia com o que Francisco chama de uma “dolorosa consciência”, que significa “transformar em sofrimento pessoal aquilo que acontece no mundo” para poder reconhecer o que cada um de nós pode contribuir na transformação. E isso deve ser praticado não por motivações ideológicas ou políticas, mas como de exigência da própria fé em Jesus Cristo. Quer dizer, no tive, fome, sede, estrangeiro, peregrino, sem roupa... (cf. Mt 25,31s), do evangelho estão incluídos todas as pessoas e realidades que gritam pela vida. Viver isso é um chamado fruto da fé que busca caminhar na história com os olhos abertos e mãos operantes, pois como nos lembra Francisco: “uma fé autêntica – que nunca é cômoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela”. (Evangelii Gaudium, n.183).

Celebrar este dia é fazer memória de todos os gritos pela vida que fazem parte da história de nossa pátria amada Brasil. Que o Grito dos Excluídos nos ajude a despertar a solidariedade entre os/as trabalhadores/as e organizar a resistência no processo de democratização. Que juntos possamos construir um projeto para o Brasil e o mundo marcado pela justiça, solidariedade e primazia da vida (aonde a vida esteja em primeiro lugar).

Enfim, acreditando na força da oração, peço também que cada paróquia e comunidade se organizem e respondam positivamente ao apelo da presidência da CNBB para que se organize uma Jornada de Oração pelo Brasil, na Semana da Pátria, de 1º a 07 de setembro próximo, com a motivação do texto que segue:

“Nós estamos necessitados de um novo Brasil, mais ético; de uma política mais transparente. Nós não podemos chegar a um impasse de acharmos que a política pode ser dispensada. A política é muito importante, mas do modo do comportamento de muitos políticos, ela está sendo muito rejeitada dentro do Brasil. Nós esperamos que esse dia de jejum e oração ajude a refletir essa questão em maior profundidade. (...) Ajudai-nos a construir um país justo e fraterno. Que todos estejamos atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas! Que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não dos interesses pessoais, partidários e de grupos”. “Ouso dizer que está nas mãos dos excluídos o futuro da humanidade” (Papa Francisco).

Fraternalmente,

Dom Odelir José Magri (Bispo Diocesano)

Compartilhe
esta notícia
Voltar